terça-feira, 31 de maio de 2011

Sorrisos

Vem a mim com um sorriso doce

Estendo a mão para afagar-lhe o rosto

Sorri pra mim como se ainda mais feliz fosse

Só por saber o quanto lhe gosto


Vem a mim com um sorriso terno

Daquele que vejo e escuto “eu te amo”

E meu sorriso em retorno é como um agradecimento eterno

Por tê-la tão perto desse coração insano


Vem a mim com um sorriso desconcertado

De quem sabe que fez bananice

Sorri ao sorriso que fala: “ta perdoado”,

E aquiesce ao sorriso que diz: “eu te disse...”


Vem a mim com um sorriso dengoso

De quem precisa de um abraço, um carinho, atenção

Estendo meus braços, e meu sorriso teimoso

Teima em mostrar-se, mostrando satisfação


Vem a mim com um sorriso afetado

E estende-me os braços, me acolhendo em seu colo

E minha inquietude cessa quase que de imediato

E disfarçadamente ou não, eu choro


Vem a mim com um sorriso bobo

Fazendo birra, implicantemente insistente

Ou só está contente, por qualquer motivo tolo

Ou é só consolo, de um jeitinho diferente


Vem a mim com um sorriso irônico

Ironia de leve que passa, às vezes, despercebida

Que numa conversa, gera sorrisos incertos quanto ao cômico

Por não perceberem a ironia contida


Vem a mim com lágrimas nos olhos

Mas o sorriso persiste no rosto

É que as lágrimas, por vezes sinônimo de tristeza,

Ás vezes dizem, contraditoriamente, o oposto...


Vem a mim como um infinito de águas

Para banhar-me e me oferecer abrigo

Vou a ti com meu rio de lágrimas

Para sorrir frente aos seus mil sorrisos...


Nas entrelinhas - Um pouco mais sobre "Sorrisos"

Oi! Quem aí sentiu saudades?


Sei que já faz um tempinho que não posto no blog – faz ainda mais tempo que não posto poemas neste blog. O Motivo? Falta de inspiração, insatisfação com o que era produzido, falta de tempo para dedicar-me exclusivamente a esse trabalho... enfim, pequenos fatores que resultaram nessa minha ausência.


Sem muita delonga, estou aqui para me desculpar pela demora e fazer uma breve introdução ao meu novo poema que logo, logo posto aqui pra vocês.


Ao lerem, vocês provavelmente se perguntarão: “Mas quem é ‘ela’ cujo eu-lírico do poema se dirige assim tão carinhosamente?” Bem, não se trata de uma pessoa, mas se manifesta por meio de pessoas, e se manifesta ainda mais lindamente por meio de pessoas ainda mais lindas, assim como minhas queridas amigas, a quem dedico esse poema, e toda a poesia contida nele.


Já sabem ‘quem’ é ela? Se não, eu digo: é a amizade, gente. Quem mais seria?


O poema fala das várias faces da amizade por meio de sorrisos. É que sorrisos, quando lindos e puros, são as coisas mais lindas e puras desse mundo. E retratam bem a amizade e os momentos em que ela está presente – no meu caso, todos.


É obvio que faltaram ainda outros vários sorrisos neste poema. Mas, sinceramente, não é necessário transcrevê-los para saber de sua existência ou mesmo apreciá-los. Não sinto falta deles aqui, porque os tenho todos os dias na face daqueles que amo.


Ah! Outras coisas – notem que eu finalizo a penúltima estrofe usando reticências (...). Isso porque, nessa estrofe, eu falo sobre lágrimas, que assim como com os sorrisos, também têm muito a dizer. Portanto, optei pelas reticências para passar a ideia de continuidade, de que ainda há muito mais a se falar sobre aquela palavrinha em especial.


Podem notar também que a maioria de meus poemas termina sem um ponto final, mas com os mesmos três pontinhos... O motivo é o mesmo – o desejo de passar a ideia de continuidade, deixando em aberto para aspirações, porque a poesia, entre tantas outras coisas, trata-se de um cadinho de inspiração que proporciona aspirações...


As quarta e quinta estrofes passam a ideia de reciprocidade, uma vez que, na quarta estrofe, eu afirmo que estendo meus braços, ofereço conforto e fico feliz por isso – afinal, como sempre digo, nada me faz mais feliz do que fazer alguém feliz –; já na quinta, sou eu quem precisa desse mesmo conforto, e é para mim que estendem os braços; que a amizade estende os braços. A última estrofe ainda reforça essa ideia de reciprocidade – notem que o primeiro verso eu começo como todos os outros – ‘vem a mim’ –, enquanto que o terceiro, eu inverto – uso ‘vou a ti’. Tudo isso para dizer que uma das coisas mais importantes na amizade, é essa relação recíproca. Simples assim.


Além disso, preciso explicar-lhes ainda um conceito na última estrofe: quando falo que a amizade vem como um infinito de águas para banhar-me, quero dizer que a amizade purifica. Entenderam? Então, é isso.


Enfim, a amizade é linda...


Espero que gostem do poema, que segue logo acima e se chama... “Sorrisos”... (meio óbvio isso, não?)


Boa leitura!


Michelle Bezerra



segunda-feira, 30 de maio de 2011

Súplica ao Tempo

Concede-me essa dança, uma última vez
Tenta ver a intensidade com que lhe peço
É que não sei se estou pronta para me despedir
Mas não se preocupe - quado estiver, me despeço

Não é que eu esteja querendo prolongar
É só que não sei o sentido do fim
Se soubesse, talvez fosse mais fácil aceitar
Se souberes, então digas para mim

É que nunca parece o bastante
Mas o é, justamente por não parecer
Mas se de fato o fosse, então porque persiste o vazio sufocante?
Talvez por querermos sempre mais do que podemos ter...



Notas finais sobre o poema:

Esse poema só foi postado por intermédio de uma alma bondosa que intercedeu por esses versos mal amados... (é que eu mesma não me agradei muito desse versar, motivos pessoais. Mas me disseram que valia a pena postar, e eu confiei).

Enfim, agradecimentos à Maria Bia, que resgatou esses versos do purgatório e fez com que lhes fosse concedido um cantinho 'num lugar entre rosas e anjos'...

PS: E a manola Sabrina também, que disse que ia me bater por eu ter dito que não gostei do poema... enfim, confio demais nessas duas amigas para duvidar de suas palavras, portanto, se dizem que é bom, eu acredito e pronto. Aqui está o poema, e meu agradecimento especial à essas duas lindas com quem posso contar sempre e que amo muito.


Michelle Bezerra


quinta-feira, 5 de maio de 2011

Reflexões-relâmpago:

O Tempo passa. Isso não muda. O resto sim.

***

Antes, eu não olhava tanto para o céu. Hoje olho e me encanto. Não é que o céu esteja diferente. É que meus olhos deixaram de ser ingratos.

E se o agora fosse eterno

Nunca antes havia entendido quando lia ou ouvia alguém dizer que queria que o tempo parasse. A ideia, à mim, era absurda. Por que insistir em querer algo que se sabe ser impossível?


E agora, esse é o meu maior desejo.


Porque o tempo me assusta. O depois me assusta. E não quero que o agora se vá.


E hoje entendo. Querer o impossível, não é absurdo. É desespero.


Mas hoje, agora, não estou desesperada. O desejo não passa de uma inquietação momentânea que vem e vai. Às vezes eu desejo com todas as minhas forças, frustrada por não ser forte o bastante. Mas, na maior parte do tempo, eu compreendo, e aquiesço.


Tudo o que é bom, não dura pouco. Dura o tempo suficiente para se tornar eterno.


E, se o agora fosse eterno, então o que seria o tempo?


O agora só é eterno quando é lembrança, e o tempo, continuaria a ser o tempo. E as lembranças ficam. E o tempo passa.


O que realmente me assusta, são as mudanças. E elas vêm com o tempo.