sábado, 23 de outubro de 2010

Soneto aos Parnasianos

Se ousar por um minuto me iludir

E acreditar que em meus versos alcanço a perfeição
Me comprometo por cada erro que provir
De ignorar o despertar da dispersão

Me decidi então por escavar a gruta
O ourives que não ouse se zangar
Ao ouvir que preferi a pedra rara bruta
Espontânea e simples, sem o luxo de limar

Sossego hoje quase não se encontra
Inspiração que se considere a pedra rara
E Beneditino, no claustro, sinta-se privilegiado

À tríade, que não se considere afronta
Pois me inspiro e dedico à esses nobres
Meus versos pobres, ou assim pré-julgados.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Lugar Distante

Há um lugar

Em algum lugar distante

Para onde vagam os corações aventureiros

E os pensamentos errantes.


Onde o sopro do vento é repentino,

Mas constante.

Quando Sol, suspiros contentes,

Quando Lua, sussurro cortante.


Onde o tempo passa indistinto.

Como sinal de sua passagem, uma estação.

Quando neve, é inverno.

Quando calor é verão.


E quando as folhas caem é outono,

E quando as flores brotam primavera.

E quando já se passaram todas,

Se inicia uma nova era.


Onde a manhã de sol desperta

Ofuscando a sombra vespertina.

Invade o quarto de alguém que ainda sonha,

Invade os sonhos pela fresta da cortina.


Invade a tarde molhada de chuva

E contorna o horizonte sob o céu mesclado.

E então se despede na noite que vem,

Se pondo na hora em que lhe convém

Deixando a lua no céu salpicado.


Primeiro Encontro

Ela

Ele tem um brilho no olhar
E me olha com intensidade
Tem olhar de sedutor
Mistura malícia e ingenuidade.

Seu sorriso é puro encanto
Que encanta e faz sorrir
Ele é pura armadilha
Em que pretendo cair.

Palavras me faltam à boca
A voz aos poucos estremece
Sua presença ao mesmo tempo
em que acalma,enlouquece.

Sua voz soa como música
Que ousa singelo cantar
Meu coração até então prisioneiro
Fora liberto para amar.

Primeiro Encontro II

Ele

Da minha boca saem palavras banais.
Ela recita poesia.
Ela é como um dia de sol,
E eu uma noite de lua vazia.

Sou um tolo apaixonado
Sou amante amador
Sou um pobre condenado
A me entregar à nobre amor.

Solto suspiros de leve
De um jovem louco amante
E pensar que resgatei sorriso tímido
Desse meu humor arrogante.

Teu calor congela a mão
Mas derrete o coração
Faz do gelo quente a chama fria
Faz do amor, forte paixão.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Paralelamente ao Sol

Sol representa luz

Luz representa razão
E tudo o que lhe é paralelo,
É sombra, escuridão.

Mas o sol também é conforto
E quando é conforto, esconde as estrelas
E a razão passa a pertencer ao escuro
Onde temos de ficar para vê-las...


Prólogo de "Paralelamente ao Sol", ainda em processo de criação

Imaginação

Era fim de tarde, e o irmão mais velho cuidava do mais novo enquanto os pais estavam no trabalho. O irmão mais novo então pergunta:

- O que é imaginação?

O mais velho, que estava absorto no livro que lia, se distraiu com a pergunta do irmão. Taciturno, fitou o vazio à sua frente por um longo tempo, a mão apoiando o queixo. Ele estava pensando em como responder. O mais novo ficou impaciente.

- E então, o que é?

O mais velho novamente se virou para o caçula e sorriu para seu rostinho enfezado de frustração.

- Tudo bem, então. Feche os olhos, por favor – respondeu apenas, no que a expressão frustrada do irmão tornou-se confusa.

- Fechar os olhos? Para quê? – indagou, com as sobrancelhas juntas e uma covinha se formando entre elas.

- Apenas feche-os, por favor – insistiu calmamente o mais velho, com um sorriso ansioso e cheio de expectativa.

Ainda confuso e com certa impaciência, o pequeno obedeceu.

- Muito bem, agora me diga: o que você vê? – quis saber o mais velho.

- Ora, não vejo nada! – exaltou o pequeno, à cada segundo mais desconfiado. O que ele poderia ver de olhos fechados, afinal?

- Então, é daí que parte a imaginação – concluiu o mais velho, com um bater de palmas.

O pequeno abriu seus olhinhos, surpreso, confuso e logo depois enfurecido.

- Eu não estou entendendo. – Ele balançou a cabeça de um lado para o outro, o cenho franzido novamente em frustração.

O irmão mais velho sorriu e voltou a explicar, com um pouquinho mais de coerência desta vez.

- Imaginação é como um enorme vazio em que você pinta o que bem quer. É a capacidade de enxergar quando seus olhos estão fechados. É onde você cria o que quiser, do jeito que quiser.

- Como assim? – perguntou o caçula. Seus olhinhos cheios de curiosidade.

- Feche os olhos outra vez. Vamos imaginar! – disse o irmão, fechado seus olhos também, com um sorriso que brincava em seus lábios. – Agora, como você mesmo disse, não está vendo nada, certo?

- Isso mesmo – concordou.

- Então agora, imagine, assim como eu, mo meio desse nada, uma enorme arvore de folhas... cor de lilás.

- Mas isso não existe... como seria possível...?

- Imagine, apenas. Agora, lá ao fundo, bem distante, imagine uma montanha... amarela, e acima dela, nuvens rosas e azuis que fazem chover...

- Estrelas coloridas? – sugeriu o mais novo, tomado de excitação e admiração.

- Isso mesmo! E o céu... pinte o céu de azul-anil, e a lua será feita de cristal, e o sol, ainda se pondo no horizonte, irá refletir nela e lançar um arco-íris...

- Como um arco-íris lunar!

- Muito bom! – aprovou o mais velho. – Agora, abra os olhos – instruiu, e o pequeno o fez lentamente, apreciando os últimos segundos da bela imagem que construíra.

- Incrível! – exultou.

- Você entendeu? Isso é imaginação – concluiu o irmão, simplesmente.

- Então eu já sabia o que era. Não é tão difícil de quando eu sonho, à noite. A diferença é que eu estou acordado – disse o caçula. – Mas você complica, hein!

- Como assim? – perguntou o mais velho, de repente confuso.

- Você diz que imaginação é um enorme vazio para preenchermos, certo?

- Basicamente, sim.

- Era bem mais fácil dizer “tornar possível o impossível”.

- É mesmo? – indagou o mais velho, sorrindo.

- Sim – confirmou o mais novo, sorrindo também. – Feche os olhos. Vou fazê-lo entender...

domingo, 10 de outubro de 2010

Guerra dos Sexos

A guerra dos sexos já é um assunto “senhor de idade” – no caso, senhora -, mas que ainda mantém um corpinho de vinte e disposição para uma maratona, correndo de boca em boca e dando o que falar.

O conceito de gênero vem afirmando sempre a superioridade masculina, impondo a mulher a um cargo submisso e numa condição de inferioridade, tanto física quanto intelectualmente. Mas espere um pouco: em pleno século 21, esse conceito machista não é mais tão popular, é?

Então, que tal voltarmos a debater questões antigas e mal resolvidas: quem é mais inteligente, o homem ou a mulher?

Consideremos as duas esferas de maior relevância no meio escolar: a Matemática e o Português (representado pela leitura).

Estudos realizados pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que mede o nível educacional de jovens de 15 anos de idade em cerca de 60 países por meio de provas de matemática, leitura e ciência, constatou que os meninos se sobressaem em matemática, e as meninas, em leitura.

Sim, meninos são melhores em matemática – o bendito raciocínio óbvio! Porém, garotas, não desanimem! Por uma ampla margem, elas se sobressaem no que consiste em interpretação textual, aprofundamento em linguagem, mecanismo útil e confortável de aprendizagem e um meio de acrescentar novas palavras no vocabulário e expandir horizontes: a leitura...!

Diante destas constatações, podemos supor que num teste de vestibular, por exemplo, apesar do destaque dos meninos em matemática, as garotas teriam uma chance maior de obter melhores resultados, já que todas as questões – inclusive as de matemática – partem da interpretação textual.

E aqui se faz a importância da leitura, que não se restringe apenas a juntar letrinha com letrinha, para formar palavras, que formarão frases, e por aí adiante, mas por trabalhar com interpretação de texto, entre outras coisas benéficas que pode oferecer. Como quando lemos Machado de Assis, onde uma frase não é apenas uma frase, mas um ponto que se divide em vários pontos alternativos.

Sendo assim, destaca-se não a superioridade intelectual de um gênero, mas a importância da leitura para a mente ávida de jovens estudantes – um trunfo que as escolas podem oferecer como um lazer mais que produtivo.

E quanto a quem é mais inteligente? Pensando bem, por que tem sempre que haver superioridade? Proponho que estabeleçamos uma relação igualitária, onde um não é mais inteligente que o outro – a guerra dos sexos que fique para depois!


PS: Redação do 2º bimestre da escola... mais uma oportunidade para ter um vislumbre de meu futuro jornalístico... rs