segunda-feira, 26 de abril de 2010

Refúgio


A poesia é um refúgio
Para quem escreve e para quem lê
Cada verso é um sentimento
Que a gente sente mas não vê

O poeta se inspira
E quem lê fica inspirado
Esquece o tempo, esquece a hora,
Esquece a alma do passado

Até no coração mais frio
A poesia está presente
Faz o gelo congelante
Se tornar a chama ardente

O pássaro que não voa,
Sonha: "Um dia irei voar"
E levará consigo os sonhos
Que ousou acreditar...


segunda-feira, 19 de abril de 2010

Mágica Tinta...

Cai a água e desaba
Sobre as rochas, como véu.
E os olhos insaciáveis deslumbram
Por sobre a tinta que se espalha no papel.

Mágica tinta de encantadora magia
Que pelo vazio branco e perolado,
Teima em se espalhar,
Criando o mais concreto mundo abstrato.

Mágica tinta de misteriosa magia
Que em seus traços imperfeitos,
Revela a perfeição.

Magia única de formas diversas,
Na tela, no papel e na mente impressas,
Mas que nasce de um único e pulsante coração.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O Tempo e o Amor


Já se foi aquele tempo
Que o tempo abandonou
Por ter cansado de esperar
A quem nunca o amou.

O tempo apaixonado
Desprezado, foi embora.
E pelo tempo perdido
Seu amor agora chora.

O tempo corre agora
Para fugir da solidão.
Corre sem pensar na hora
E pensando sem querer em sua paixão.

E agora o tempo pára
Loucamente apaixonado.
Está na beira do abismo
Relembrando seu passado.

Passado que não passou
Ou passou e ele não viu.
O tempo agora está sofrendo
Pelo amor que nunca sentiu...



segunda-feira, 12 de abril de 2010

Só para constar...

Sou uma perdida
Que não segue doutrina nem religião
Sem rumo, pretextos nem sina
Na mente uma rima, trasformo em canção...

Minhas mãos não são tão delicadas

Quanto as de uma dama haveriam de ser
São pequenas e um tantinho calombadas
Preço que pago por gostar de escrever.

Minha face não é branda nem dura
Se perde no meio do aglomerado de rostos
Me vejo cercada por belas molduras
E eu talvez seja um simples esboço...

Sou uma desiludida
Descrente da vida, a mais bela ilusão
Ciente de que o amor é magia
Mas não é incerteza nem convicção.

E apesar de me contradizer
Digo que acredito no amor
De onde a esperança se faz nascer
E para o coração é fonte de calor.

Seria ingenuidade minha dizer
Que acredito em príncipe encantado?
Desilusão seria nunca entender
Que a magia da vida é o inesperado...

sábado, 10 de abril de 2010

Reclamar da vida nessas horas parece até ironia...















Às vezes penso que o mundo não foi feito para os seres humanos,
ou talvez a morte seja realmente a ordem natural.
Se esse é realmente o destino dos insanos,
que seja pelas mãos da natureza, do que pelas mãos de outro animal...

* Em respeito às milhões de vítimas de tragédias como a do Rio e a do Haiti...

Michelle.

terça-feira, 6 de abril de 2010

A Magia do Outono...

Ah, o Outono... minha estação preferida...! O céu azul manchado por nuvens brancas em constante movimento, o sol brilhando e deixando tudo colorido, o frio fazendo com que as pessoas saiam de casa embrulhadas em seus cachecóis e casacos, com as mãos nos bolsos e nariz vermelho... as rajadas repentinas de vento criando uma chuva vertical de folhas secas e amareladas... é tudo tão belo. Ah, o Outono...

Que desilusão senti, tenho de adimitir, quando no dia 20 de março, por volta das duas da tarde, foi anunciado a chegada tão esperada do Outono - eu chegava a imaginar o sol surgindo glorioso, iluminando o horizonte dos oprimidos pelas constantes chuvas de verão... mas não foi o que aconteceu, e que desilusão senti, eu repito, quando o primeiro dia do outono amanheceu chovendo, se passou debaixo de chuva e anoiteceu dessa mesma forma...


Mais um dia, eu pensei, e o frio gostoso, e as rajadas repentinas do vento, o sol brilhando no céu azul e branco, viriam me saudar. E semanas se passaram, chovia, chovia, fazia calor, e... chovia...! Todos os dias eu acordava esperando a mudança bela acontecer, mas o verão parecia não querer ir embora, só para me provocar...

Até que... - e nessas horas é quase impossível conter a lágrimas, mas enfim... -, e eu nem mesmo percebi o que o frio daqueles últimos dias era um aviso, mas estava chegando...

Numa tarde exaustiva de trabalhos escolares a serem realizados, no momento de voltar para casa, quando passo pelo portão de ferro da casa de minha amiga, eu senti aquele frio, e a ponta de meu nariz ficou vermelha, e senti o vento repentino e o sol glorioso, e eu nem senti a garoa fina que caía naquele momento; pude ver até o arco-íris - ou uma ilustração, já que se tratava do guarda-chuva colorido de uma senhora ao longe - , e então eu pude ter um vislumbre, ou quase uma visualização perfeita, da magia do outono...!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Eu queria...

Eu queria saber voar
Mas asas eu não tinha
Queria saber o que é amar
Mas amor de verdade não vinha.

Queria saber esperar
Mas esperança já não me faz companhia
Queria ao menos poder cessar
Esse pulsar inquietante de agonia.

Receio ser minha impaciência
Que afaste de mim o que eu desejo
Meu olhar já se perdeu na inconsciência
Pois o que quero de verdade não vejo.

Quem me dera poder fechar os olhos
E perder-me numa escuridão sem devaneios
Silenciar meu inquieto coração
E esquecer-me por um instante de meus anseios.

Quem me dera saber aquiescer
Para aceitar o vazio de forma complacente.
Ah, quem me dera... quem poderia entender?
Que no vazio profundo de minha dor insistente
Eu seria feliz por ser capaz de sofrer...