sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Não Se Sabe...

Não se sabe se por culpa da vontade
Se nunca pode ou se nunca quis
Sabe-se ao menos que encontrou na amizade
Um modo belo de ser feliz

Mas seu coração há tempos ansiava
Por algo forte como uma paixão
Mas, distante, apenas imaginava
O que era repelido pelo medo da decepção

Não se sabe se está aberto
O coração pulsante que se faz sentir
Não se sabe se está longe ou perto
Quem, de amor, faça-o se abrir

O que se sabe é o que é incerto
Tal qual amor tentar predizer
Não se sabe se está longe ou perto
Só se espera ele aparecer...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Singela Convicção

Começo aqui trabalho amador
Que não sei ao certo a definição
Que cada um tem um olhar, sente um sabor;
Deixo aberto à livre interpretação

Talvez me arrisque a escrever no fim
Minha singela convicção
Não me importo com quem possa vir até mim
Dizer se concorda ou não

Conflitos bobos pouco interessam
Palavras têm poder maior
Definições são como formalidades
Escolha a que convir melhor

Definições dispostas num dilema
Que ousar transpor ninguém faria
Só me pergunto: será que em meu poema
Encontras poesia?


PS: Referente a briga dos gramáticos em definir um poema - se poema ou poesia -; prefiro pensar como uma professora uma vez me disse, que poema é a parte estrutural, e poesia a emoção contida em cada verso...

sábado, 23 de outubro de 2010

Soneto aos Parnasianos

Se ousar por um minuto me iludir

E acreditar que em meus versos alcanço a perfeição
Me comprometo por cada erro que provir
De ignorar o despertar da dispersão

Me decidi então por escavar a gruta
O ourives que não ouse se zangar
Ao ouvir que preferi a pedra rara bruta
Espontânea e simples, sem o luxo de limar

Sossego hoje quase não se encontra
Inspiração que se considere a pedra rara
E Beneditino, no claustro, sinta-se privilegiado

À tríade, que não se considere afronta
Pois me inspiro e dedico à esses nobres
Meus versos pobres, ou assim pré-julgados.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Lugar Distante

Há um lugar

Em algum lugar distante

Para onde vagam os corações aventureiros

E os pensamentos errantes.


Onde o sopro do vento é repentino,

Mas constante.

Quando Sol, suspiros contentes,

Quando Lua, sussurro cortante.


Onde o tempo passa indistinto.

Como sinal de sua passagem, uma estação.

Quando neve, é inverno.

Quando calor é verão.


E quando as folhas caem é outono,

E quando as flores brotam primavera.

E quando já se passaram todas,

Se inicia uma nova era.


Onde a manhã de sol desperta

Ofuscando a sombra vespertina.

Invade o quarto de alguém que ainda sonha,

Invade os sonhos pela fresta da cortina.


Invade a tarde molhada de chuva

E contorna o horizonte sob o céu mesclado.

E então se despede na noite que vem,

Se pondo na hora em que lhe convém

Deixando a lua no céu salpicado.


Primeiro Encontro

Ela

Ele tem um brilho no olhar
E me olha com intensidade
Tem olhar de sedutor
Mistura malícia e ingenuidade.

Seu sorriso é puro encanto
Que encanta e faz sorrir
Ele é pura armadilha
Em que pretendo cair.

Palavras me faltam à boca
A voz aos poucos estremece
Sua presença ao mesmo tempo
em que acalma,enlouquece.

Sua voz soa como música
Que ousa singelo cantar
Meu coração até então prisioneiro
Fora liberto para amar.

Primeiro Encontro II

Ele

Da minha boca saem palavras banais.
Ela recita poesia.
Ela é como um dia de sol,
E eu uma noite de lua vazia.

Sou um tolo apaixonado
Sou amante amador
Sou um pobre condenado
A me entregar à nobre amor.

Solto suspiros de leve
De um jovem louco amante
E pensar que resgatei sorriso tímido
Desse meu humor arrogante.

Teu calor congela a mão
Mas derrete o coração
Faz do gelo quente a chama fria
Faz do amor, forte paixão.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Paralelamente ao Sol

Sol representa luz

Luz representa razão
E tudo o que lhe é paralelo,
É sombra, escuridão.

Mas o sol também é conforto
E quando é conforto, esconde as estrelas
E a razão passa a pertencer ao escuro
Onde temos de ficar para vê-las...


Prólogo de "Paralelamente ao Sol", ainda em processo de criação

Imaginação

Era fim de tarde, e o irmão mais velho cuidava do mais novo enquanto os pais estavam no trabalho. O irmão mais novo então pergunta:

- O que é imaginação?

O mais velho, que estava absorto no livro que lia, se distraiu com a pergunta do irmão. Taciturno, fitou o vazio à sua frente por um longo tempo, a mão apoiando o queixo. Ele estava pensando em como responder. O mais novo ficou impaciente.

- E então, o que é?

O mais velho novamente se virou para o caçula e sorriu para seu rostinho enfezado de frustração.

- Tudo bem, então. Feche os olhos, por favor – respondeu apenas, no que a expressão frustrada do irmão tornou-se confusa.

- Fechar os olhos? Para quê? – indagou, com as sobrancelhas juntas e uma covinha se formando entre elas.

- Apenas feche-os, por favor – insistiu calmamente o mais velho, com um sorriso ansioso e cheio de expectativa.

Ainda confuso e com certa impaciência, o pequeno obedeceu.

- Muito bem, agora me diga: o que você vê? – quis saber o mais velho.

- Ora, não vejo nada! – exaltou o pequeno, à cada segundo mais desconfiado. O que ele poderia ver de olhos fechados, afinal?

- Então, é daí que parte a imaginação – concluiu o mais velho, com um bater de palmas.

O pequeno abriu seus olhinhos, surpreso, confuso e logo depois enfurecido.

- Eu não estou entendendo. – Ele balançou a cabeça de um lado para o outro, o cenho franzido novamente em frustração.

O irmão mais velho sorriu e voltou a explicar, com um pouquinho mais de coerência desta vez.

- Imaginação é como um enorme vazio em que você pinta o que bem quer. É a capacidade de enxergar quando seus olhos estão fechados. É onde você cria o que quiser, do jeito que quiser.

- Como assim? – perguntou o caçula. Seus olhinhos cheios de curiosidade.

- Feche os olhos outra vez. Vamos imaginar! – disse o irmão, fechado seus olhos também, com um sorriso que brincava em seus lábios. – Agora, como você mesmo disse, não está vendo nada, certo?

- Isso mesmo – concordou.

- Então agora, imagine, assim como eu, mo meio desse nada, uma enorme arvore de folhas... cor de lilás.

- Mas isso não existe... como seria possível...?

- Imagine, apenas. Agora, lá ao fundo, bem distante, imagine uma montanha... amarela, e acima dela, nuvens rosas e azuis que fazem chover...

- Estrelas coloridas? – sugeriu o mais novo, tomado de excitação e admiração.

- Isso mesmo! E o céu... pinte o céu de azul-anil, e a lua será feita de cristal, e o sol, ainda se pondo no horizonte, irá refletir nela e lançar um arco-íris...

- Como um arco-íris lunar!

- Muito bom! – aprovou o mais velho. – Agora, abra os olhos – instruiu, e o pequeno o fez lentamente, apreciando os últimos segundos da bela imagem que construíra.

- Incrível! – exultou.

- Você entendeu? Isso é imaginação – concluiu o irmão, simplesmente.

- Então eu já sabia o que era. Não é tão difícil de quando eu sonho, à noite. A diferença é que eu estou acordado – disse o caçula. – Mas você complica, hein!

- Como assim? – perguntou o mais velho, de repente confuso.

- Você diz que imaginação é um enorme vazio para preenchermos, certo?

- Basicamente, sim.

- Era bem mais fácil dizer “tornar possível o impossível”.

- É mesmo? – indagou o mais velho, sorrindo.

- Sim – confirmou o mais novo, sorrindo também. – Feche os olhos. Vou fazê-lo entender...

domingo, 10 de outubro de 2010

Guerra dos Sexos

A guerra dos sexos já é um assunto “senhor de idade” – no caso, senhora -, mas que ainda mantém um corpinho de vinte e disposição para uma maratona, correndo de boca em boca e dando o que falar.

O conceito de gênero vem afirmando sempre a superioridade masculina, impondo a mulher a um cargo submisso e numa condição de inferioridade, tanto física quanto intelectualmente. Mas espere um pouco: em pleno século 21, esse conceito machista não é mais tão popular, é?

Então, que tal voltarmos a debater questões antigas e mal resolvidas: quem é mais inteligente, o homem ou a mulher?

Consideremos as duas esferas de maior relevância no meio escolar: a Matemática e o Português (representado pela leitura).

Estudos realizados pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que mede o nível educacional de jovens de 15 anos de idade em cerca de 60 países por meio de provas de matemática, leitura e ciência, constatou que os meninos se sobressaem em matemática, e as meninas, em leitura.

Sim, meninos são melhores em matemática – o bendito raciocínio óbvio! Porém, garotas, não desanimem! Por uma ampla margem, elas se sobressaem no que consiste em interpretação textual, aprofundamento em linguagem, mecanismo útil e confortável de aprendizagem e um meio de acrescentar novas palavras no vocabulário e expandir horizontes: a leitura...!

Diante destas constatações, podemos supor que num teste de vestibular, por exemplo, apesar do destaque dos meninos em matemática, as garotas teriam uma chance maior de obter melhores resultados, já que todas as questões – inclusive as de matemática – partem da interpretação textual.

E aqui se faz a importância da leitura, que não se restringe apenas a juntar letrinha com letrinha, para formar palavras, que formarão frases, e por aí adiante, mas por trabalhar com interpretação de texto, entre outras coisas benéficas que pode oferecer. Como quando lemos Machado de Assis, onde uma frase não é apenas uma frase, mas um ponto que se divide em vários pontos alternativos.

Sendo assim, destaca-se não a superioridade intelectual de um gênero, mas a importância da leitura para a mente ávida de jovens estudantes – um trunfo que as escolas podem oferecer como um lazer mais que produtivo.

E quanto a quem é mais inteligente? Pensando bem, por que tem sempre que haver superioridade? Proponho que estabeleçamos uma relação igualitária, onde um não é mais inteligente que o outro – a guerra dos sexos que fique para depois!


PS: Redação do 2º bimestre da escola... mais uma oportunidade para ter um vislumbre de meu futuro jornalístico... rs

sábado, 25 de setembro de 2010

Meu Mundinho...

Crianças entre flores

Esperança, paz e cores
Um mundo cheio de alegria
Era só o que eu queria.

Esse é o mundo que perdemos.

Crianças pedindo esmola
Sem brincadeiras, sem uma bola
A violência nas cidades
Essa é a triste realidade.

Esse é o mundo em que vivemos.

Pessoas em grande harmonia
Aproveitando cada minuto do dia
Sem sofrimento, só alegria.

Essa é nossa esperança.

Quem sabe um dia eu desperte
E o que meu sonho hoje remete
Deixe de ser um devaneio de infância.

Meu mundo com um final feliz.

Cotidiano

Hoje acordei mais cedo
Para ver o sol nascer
Antes de voltar àquele velho cotidiano
Da vida pacata que tenho de viver.

Já deu até para se acostumar
Já que não dá para fugir
Desse velho cotidiano
Que nos faz até sorrir
Ao pensar que ainda há tempo
De voltar à um momento
Em que o amor eu senti
Mas que dele já fugi
Por causa desse contratempo
que segui durante todo o ano
E que acabou nesse cotidiano.

Hoje vou dormir mais cedo
Para ter tempo de sonhar.
Sonhei que escapava desse velho cotidiano
E para o amor podia voltar...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Artigo - Moda

Moda. Mundo fashion. Uma visualização completa se materializa diante dos olhos de qualquer um ao som dessa palavra. E surge ainda um complemento soturno no ar – glamour. A moda estende-se por um caminho sempre inconstante. Uma outra palavra para completar o termo seria tendência, e uma nova esgueira-se pelas brechas da porta que se abre para o mundo. Moda é uma ferramenta versátil e expressionista - poderia eu dizer mais? Sim, poderia. Porém, limito-me ao sucinto numa descrição para seguir adiante sem embromação.


É de acordo geral que a moda é uma coisa linda. Todavia, é igualmente presumível que é necessário dispor de certo nível de poder aquisitivo para ser seu súdito fanático – na medida do saudável, é claro. Qual seria então a solução para um guarda-roupa glamuroso e fashion de forma econômica e agradável? Seria a moda sustentável – continua-se com o glamour, porém adota-se o ecofashion. Felicidade abundante ergue-se nos ombros da população! Mas não pense que é apenas por enfim poder andar “na moda” por aí – não nos julgue tão fúteis assim -, pois enfim o mundo vai entrar na moda também!


A moda sustentável baseia-se no conceito de diminuir a exploração da nossa já escassa fonte-mãe – a Terra. A matéria-prima utilizada pelas grifes na produção de suas roupas proverá de material reciclado – como, por exemplo, garrafas PET, que são convertidas em tecido para a fabricação das peças. Desse modo, pretende-se amenizar a extração de matéria-prima da natureza e os reflexos de tal ato. Além dos benefícios para o planeta – que ainda não exclama felicitado “obrigado, obrigado!”, mas já nos dirige um sorriso acalorado -, trará mais lucro para os fabricantes e para os consumidores de diversas formas. A moda sustentável será tendência no próximo verão. Uma forma consciente de seguir a moda a finco e com estilo.

Pois é... Unir o útil ao agradável nunca sairá de moda – para sempre na estrada, tanto quanto o jeans ou tênis All Star!



PS.: Trabalho de português da escola. Gostei muito de fazer, pois é mais ou menos o que farei futuramente depois da faculdade de jornalismo que pretendo cursar... escrever artigos para revistas e jornais!

terça-feira, 25 de maio de 2010

Já não mais...

Já vi a esperança
Mas hoje não a reconheço.
Apenas me passa uma vaga lembrança
Mas que dela logo me esqueço.


Já vivi em plena harmonia
Mas hoje estou à beira da morte
Vago-me de uma breve alegria
Ao ver que ainda me resta a sorte.

Vivo de algumas recordações
Daquelas que não me esqueci
Meus sonhos soam como canções
E por eles é que estou aqui.


O que penso...

Miscigenação e Racismo


Discriminar semelhantes por cor de pele, é renegar a sua própria descendência. Não existem hoje - pelo menos no Brasil – os chamados de “berço puro”, livres de miscigenação - estes simplesmente não existem. Com tantas culturas diferentes, tantos países misturados, é impossível que um destes tenha se mantido na “linha reta”, apenas se relacionando (interagido) com seus irmãos de terra – o desconhecido é tentador demais para ser ignorado. Hoje em dia, corre sangue do mundo inteiro, nas veias de um só brasileiro.

Um Conto, Estrelas e Sonhos




Podem os sonhos mudar os olhos do homem diante do mundo? Filhos da fantasia, arautos da ilusão. Os sonhos enganam e encantam. Como acreditar em algo tão sedutor quanto inconstante?”
Foi o que meu pai uma vez me disse, quando eu era ainda muito pequena para compreender. Voltei meus olhos aturdidos para minha mãe, que simplesmente falou: “Os sonhos revelam o que está oculto em nossos corações”. Eu era muito pequena para entendê-la também. Lembro-me de sair da sala quando os dois começaram a discutir – eu não suportava gritos.
Subi para meu quarto e me escorei na janela, fitando o horizonte. A discussão ainda era ouvida lá embaixo. E tudo começou porque eu perguntei o porquê de meus sonhos serem tão esquisitos. Noite passada, sonhei que as flores brotavam nas nuvens do céu e faziam chover pólen – e eu nem sabia como era o tal do pólen, mas sabia que aquela coisa do meu sonho, era pólen.
Suspirei alto e me virei irritada para a porta de meu quarto, de onde vinham vozes cada vez mais exaltadas. Suspirei mais uma vez.
- É tão inquietante quanto desagradável que algo de uma beleza tão pura como a palavra sonho saia da boca dos leigos de forma exaltada, exasperada e frustrada, quando deveria soar como a mais bela música de todo o mundo – tagarelou uma voz desconhecida detrás de mim, da janela. Virei-me de uma vez, mas antes do susto, me veio irritação.
- Por que todos insistem em falar difícil com uma criança de apenas cinco anos e meio que não sabe nem mesmo soletrar o próprio nome?! – lembro de perguntar. E depois disso, me veio o susto.
Havia um garoto todo colorido sentado com perninhas-de-índio em cima do... vento, foi só o que pude supor, pois o ele flutuava. Sua imagem me fez lembrar daqueles bobos da corte que costumavam aparecer nos desenhos animados. O rosto dele era branco e maquiado, como daqueles mímicos que também costumam aparecer nos desenhos animados. Sua cabeça tombou para o lado – fazendo a bolinhas penduradas no seu chapéu colorido sacudirem e tombarem também – e ele me encarou com perplexidade no rosto brando.

- Você não sabe soletrar seu próprio nome?
Voltou-me a irritação.
- Quem é você? – foi a minha pergunta estúpida. Algo como “O que é você”, ou “o que faz flutuando na minha janela” ou “Em que era as cores berrantes entraram na moda?!”, teriam soado melhor.
O garoto colorido entrou flutuando em meu quarto e pairou na minha frente.
E então começou a recitar.
- Sou aquele que serve ao regente soturno
Que planta a semente para então semear
Que acolhe e inspira os suspiros noturnos
Que guia as mentes antes do despertar...
Ele realmente esperava que eu entendesse aquilo?
- Ah, ta. E isso quer dizer o quê?
Seu rosto glorioso e empolgado desmanchou-se numa careta engraçada.
- Que tal então:
Batatinha quando nasce
Faz nascer uma canção
Menininha quando dorme
Dá asas a imaginação...?
- Melhor – afirmei, contendo o riso -, mas não diz quem você é.
- Tudo bem, tudo bem – ele começou, me olhando zombeteiro. – Sou, em uma linguagem bem mais clara, o arauto do Senhor dos Sonhos; um viajante, que atende pela alcunha Dimitri de Rantov.
Aquela ainda não era uma linguagem muito clara, mas aquiesci.
Lembrei-me do que as pessoas diziam em apresentações formais – “Encantado(a)”. Quando ele me estendeu a mão, ainda flutuando diante de mim, eu a segurei e disse:
- Assustada.
Ele riu e colocou os pés no chão. Ali, de pé na minha frente, ele tinha o dobro do meu tamanho e um jeito de irmão mais velho – sua aura incitava segurança.
Se você está achando estranho e negligente – além de perigoso – da minha parte não sair correndo e gritando do quarto diante de um estranho – um estranho bem estranho, diga-se de passagem... – que invadiu pela janela, em minha defesa, apenas afirmo: eu só tinha cinco anos e não sabia nem soletrar meu nome.
Seu coração está cheia de dúvidas, criança. Dúvidas sobre aquilo que eu mais entendo e ainda isso não é muito. Você questiona o sentido dos sonhos, certo? – ele me encarou de sobrancelhas juntas e lábios franzidos. Eu apenas balancei a cabeça afirmativamente.
- Pois bem, o sentido dos sonhos... Eu mesmo me enveredo pelos caminhos tortuosos da vida em busca da resposta para essa pergunta, e quer saber? Não há resposta.
Eu só entendi a última parte do que ele me falou e isso já me serviu para que eu pudesse argumentar.
- Como pode não haver resposta?
- Não uma resposta definitiva, quero dizer.
- Ah, isso ajuda...! – eu o interrompi, irritada. Ele riu de minha expressão.
- Mas acredito que haja uma resposta única para cada pessoa, entende?
- Não. – Como se precisasse perguntar...
Ele riu outra vez. Passou por mim e sentou-se na beira da minha cama. Fez então um gesto para que eu me sentasse de frente para ele, na poltrona que geralmente era ocupada por minha mãe, na hora das histórias para dormir. Eu obedeci. Vagamente percebi que os gritos haviam cessado lá embaixo.
- Acho que seria melhor – começou ele – se você primeiro entendesse a origem dos sonhos.
O garoto colorido se endireitou, pigarreou e seus olhos esverdeados de longos cílios fixaram-se semicerrados nos meus, para que eu prestasse atenção.
- Havia há muito tempo, um velho sábio que afirmava dispor... digo, ter - ele se corrigiu, diante de meu suspiro de frustração, fazendo uma careta à guisa de desculpas – todo o conhecimento do mundo. Eis que um dia, aparece em sua porta uma pessoa especial que lhe diz que ele possuia muitos conhecimentos que ainda eram ocultos a ele. O velho então se sentiu incompleto, e não sabia o que fazer para desvendar os conhecimentos ocultos dentro de si. Ficou por dias e noites tentando e tentando, até que o cansaço o tomou e ele adormeceu. E enquanto dormia, imagens afloraram e sua cabeça. E ele soube de alguma forma, que aquelas imagens eram a chave para desvendar o mistério. Conclui que nunca seria capaz de possuir todo o conhecimento do mundo e que ninguém nunca o faria tão pouco. Mas achava que todos deviam ter a chance de ao menos compreender o que já se encontrava dentro de si, a verdade sobre o seu ser. Pediu então às estrelas que plantassem os sonhos na mente de todas as pessoas, e cabia a elas escolher se buscariam a verdade ou iriam ignorá-la para sempre. E fim! – terminou, com um sorriso inesperado, depois de se manter sério por todo o tempo em que estivera narrando. E tenho que admitir que fiquei impressionada com a história.
- Então você quer dizer que tenho de buscar as respostas para meus sonhos esquisitos por mim mesma? – conclui.
- Ora! – exclamou. – Para uma garota de cinco anos que mal sabe soletrar o próprio nome, isso foi muito perspicaz. Digo... “acertou na mosca!” – completou, escondendo o riso.
- Os sonhos são então... como charadas, certo? – afirmei. Ele sorriu e confirmou, incitando-me a continuar. – Mas eu nunca fui boa com charadas... E se...
- Se você não conseguir? Bobagem! É tão simples! É você mesmo que torna as coisas difíceis. Basta prestar atenção ao que o sonho quer te dizer. Simples!
- Diga-me uma coisa, moço: Você sonha?
Um olhar triste passou por seu rosto, mas não por tempo suficiente para aturdi-lo. Só um tempo depois – ontem, na verdade, quando me lembrei (num sonho) deste fato ocorrido há dez anos – percebi que este era um dilema antigo para ele.
Respondeu apenas:
- Eu poderia, se quisesse, mas teria de abrir mão da maior e mais bela missão que já recebi.
- E qual seria?
- Projetar os enigmas chamados sonhos – ele respondeu, e de alguma forma milagrosa eu compreendi – ele era um Criador de Sonhos.
Não era preciso que se dissesse mais nada. O olhar presunçoso que ele me lançou deixou bem claro que ele compreendia que eu havia compreendido.
Houve silêncio, por um momento. E então ele se levantou.
- Já é o poente... É hora de partir. - Eu me levantei também, mas não pude dizer nada. Havia um turbilhão de coisas na minha cabeça e ela girava. Ele se aproximou e disse:
- Foi um prazer, senhorita. Espero que possamos nos encontrar uma outra vez. Até lá, passe bem. – ele se curvou cordialmente e começou a levantar vôo. - Ah! E preste atenção no seu sonho de hoje, daqui a pouco. Vou preparar um especial para você.
Eu assenti, com um nó na garganta quando ele se dirigiu à janela. Já do lado de fora, ele se virou e acenou para mim, e então partiu para as estrelas. Uma lágrima escorreu pelo canto de meu olho.
Naquela noite, fui dormir um pouco mais cedo do que de costume. Fechei os olhos bem apertados e esperei. Aquelas já conhecidas nuvens de flores pairavam no céu, a minha espera, e de repente começou a chover de leve, mas não era a mesma chuva de meu último sonho. Era uma chuva de letrinhas. Um grupo de seis veio em minha direção e pairou diante de mim, na seguinte ordem – B-I-A-N-C-A. Reconheci meu nome. Olhei para o céu – incrivelmente estrelado - e fitei um sorriso familiar...
Fim

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Refúgio


A poesia é um refúgio
Para quem escreve e para quem lê
Cada verso é um sentimento
Que a gente sente mas não vê

O poeta se inspira
E quem lê fica inspirado
Esquece o tempo, esquece a hora,
Esquece a alma do passado

Até no coração mais frio
A poesia está presente
Faz o gelo congelante
Se tornar a chama ardente

O pássaro que não voa,
Sonha: "Um dia irei voar"
E levará consigo os sonhos
Que ousou acreditar...


segunda-feira, 19 de abril de 2010

Mágica Tinta...

Cai a água e desaba
Sobre as rochas, como véu.
E os olhos insaciáveis deslumbram
Por sobre a tinta que se espalha no papel.

Mágica tinta de encantadora magia
Que pelo vazio branco e perolado,
Teima em se espalhar,
Criando o mais concreto mundo abstrato.

Mágica tinta de misteriosa magia
Que em seus traços imperfeitos,
Revela a perfeição.

Magia única de formas diversas,
Na tela, no papel e na mente impressas,
Mas que nasce de um único e pulsante coração.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O Tempo e o Amor


Já se foi aquele tempo
Que o tempo abandonou
Por ter cansado de esperar
A quem nunca o amou.

O tempo apaixonado
Desprezado, foi embora.
E pelo tempo perdido
Seu amor agora chora.

O tempo corre agora
Para fugir da solidão.
Corre sem pensar na hora
E pensando sem querer em sua paixão.

E agora o tempo pára
Loucamente apaixonado.
Está na beira do abismo
Relembrando seu passado.

Passado que não passou
Ou passou e ele não viu.
O tempo agora está sofrendo
Pelo amor que nunca sentiu...



segunda-feira, 12 de abril de 2010

Só para constar...

Sou uma perdida
Que não segue doutrina nem religião
Sem rumo, pretextos nem sina
Na mente uma rima, trasformo em canção...

Minhas mãos não são tão delicadas

Quanto as de uma dama haveriam de ser
São pequenas e um tantinho calombadas
Preço que pago por gostar de escrever.

Minha face não é branda nem dura
Se perde no meio do aglomerado de rostos
Me vejo cercada por belas molduras
E eu talvez seja um simples esboço...

Sou uma desiludida
Descrente da vida, a mais bela ilusão
Ciente de que o amor é magia
Mas não é incerteza nem convicção.

E apesar de me contradizer
Digo que acredito no amor
De onde a esperança se faz nascer
E para o coração é fonte de calor.

Seria ingenuidade minha dizer
Que acredito em príncipe encantado?
Desilusão seria nunca entender
Que a magia da vida é o inesperado...